SONHOS E PSICOTERAPIA
Os sonhos e sua interpretação tem suscitado a curiosidade da humanidade desde tempos remotos. De papiros egípcios à Biblia, do início da psicologia aos consultórios dos modernos psicólogos cognitivos, esse é um tema presente.
Na verdade, o que representam nossos sonhos? Eles são uma parte do nosso "lado escuro", aquela parte muitas vezes misteriosa de nós mesmos, com os nossos desejos, os nossos medos, as nossas impressões do mundo. Decifrar um sonho é ver um pouco mais este lado ao qual nem sempre nós valorizamos e assim nos conhecermos ainda mais.
A psicoterapia entra exatamente aí, no processo de auto conhecimento, sendo que os sonhos podem ser uma poderosa ferramenta neste propósito. Interpretar um sonho é uma tarefa que a pessoa pode realizar sozinha, também, mas o que distingue este trabalho solitário do feito conjuntamente com o psicólogo é que na psicoterapia o conhecimento sobre si gerado pelo sonho entra dentro de um contexto maior, onde ambos, o paciente e o psicoterapeuta, vão trabalhando cada vez mais profundamente com um propósito em comum. Além disso, por um lado, muitos símbolos significam algo semelhante para um grande número de pessoas, mesmo em círculos culturais distintos, como bem assinalou Jung, mas por outro, a compreensão da imagem onírica deve se dar dentro das experiências presentes e passadas daquela pessoa única, portanto é necessário uma visão global de ambos aspectos para se fazer a interpretação, o que na maior parte das vezes não está presente em quem não trabalha com este tipo de material frequentemente, como o psicólogo.
Já foi falado que os sonhos indicam nossos desejos ocultos, ou que eles são a comunicação entre o nosso consciente e o nosso inconsciente. Biologicamente falando, os sonhos fazem parte do nosso processo de sono, o qual tem 5 estágios, sendo o mais relevante neste assunto o estágio REM (rapid eyes movement). Nós temos em uma noite aproximadamente uma hora e meia a duas horas de sono REM, que se distribui em aproximadamente 90 minutos e repete-se em 4/5 períodos do sono, sendo cada vez mais extenso (de 10 mins até 30 mins ou mais). Geralmente nos lembramos mais de nosso último sonho, pois ele acontece na fase mais extensa do sono REM, antes de acordarmos. Segundo pesquisas, os bebês de 6 a 8 meses já sonham, pois há atividade cerebral elevada e fase REM em quase todo o tempo do sono.
Pesquisas realizadas com milhares de relatos de sonhos indicam que em nossos sonhos as sensações desagradáveis são mais frequentes que as agradáveis e que o conteúdo dele depende muito do sexo e da idade da pessoa que sonha. Já fatores como formação, classe ou raça parecem não serem importantes com relação ao conteúdo dos sonhos.
A experiência clínica demonstra que funções importantes de alguns sonhos são nos oferecer resolução para nossos problemas ou nos avisar de perigos.
Já está superada a visão de Freud de que os sonhos dissimulam ou escondem algo de nós mesmos. O que acontece é que o sonho nos apresenta sua mensagem de modo cifrado. Na verdade, as imagens oníricas significam exatamente aquilo que mostram e os sonhos devem ser interpretados tão literalmente quanto possível. Como bem afirmou o famoso pesquisador de sonhos, Calvin Hill., o significado de um sonho não pode ser encontrado em alguma teoria sobre os sonhos; ele se encontra no próprio sonho.
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